Fernando Ricardo Ladeia
“…compreender que não há uma regra única para o estabelecimento do melhor modo de transporte, cuja definição ou composição entre os modais deve estar relacionada, especialmente, às condições da demanda e às especificidades verificadas em cada cidade, região, estado ou país.”(CAPPA, 2007 p.4)
Este artigo pretende discutir a influência do Corredor metropolitano noroeste: fluxo de pessoas e impacto econômico no município de Hortolândia-SP.
O Corredor Metropolitano Noroeste compreende a ligação de 7 municípios da Região Metropolitana de Campinas (RMC), sendo eles os municípios de: Campinas, Hortolândia, Sumaré, Nova Odessa, Americana, Monte Mor e Santa Bárbara D’Oeste. Segundo os dados da Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos de São Paulo (EMTU), essas cidades concentram 70% da demanda total da RMC, com uma estrutura para atender 3,5 milhões de usuários/mês ou 42 milhões/ano.
Não nos concentraremos nas especificações técnicas da obra, disponíveis no site da EMTU, mas numa análise um pouco mais ambiciosa em relação ao tema, não a formulação de uma teoria, mas um levantamento rápido, da influência econômica de uma obra de tal envergadura.
Em um dos trechos do Corredor Metropolitano Noroeste no município de Hortolândia, no traçado da avenida Olivio Francischini, que tem seu inicio na avenida da Emancipação e termina no terminal Hortolândia, foi o trecho mais significativo da obra, para o município de Hortolândia, onde não apenas houve uma remodelação da avenida existente, e sim, a duplicação efetiva da avenida, valorizando a localidade e desviando o fluxo insustentável de veículos no centro da cidade que compreende ruas estreitas. Nos outros trechos da obra podemos notar apenas remodelações que não podemos afirmar que de fato suprirão a demanda existente.
Hortolândia fornece trabalhadores para o setor de serviços no município de Campinas, embora possua em seu território, plantas industriais suficientes para oferecimento de postos de trabalho para os que nela habitam. Comparáveis à países de primeiro mundo, se calculássemos o número de habitantes em proporção aos postos de trabalhos oferecidos. O fluxo de pessoas e veículos nos “horários de pico” para entrada e saída inviabilizam qualquer projeto de expansão econômica.
Embora Hortolândia tenha se beneficiado por estar em posição estratégica na RMC, seus dirigentes acreditam que foi através de incentivos fiscais (isenção de impostos) ou de infra-estrutura (terraplanagem,etc.), previstos em leis de incentivo, que Hortolândia conseguiu atrair estas empresas, desconsiderando todos os outros motivos que levaram ao seu crescimento econômico.
Porém, o crescimento desordenado e sem uma visão estratégica dessa inserção regional do município, está gerando problemas no fluxo de pessoas. Se todos os dias se deslocam do município milhares de pessoas para o município de Campinas, e, por sua vez, milhares de pessoas se deslocam do município de Campinas e de outros municípios da região para trabalharem em Hortolândia, considerando que os principais acessos da cidade são estreitos. Como já exposto, isso poderá ter reflexos negativos para o crescimento econômico da cidade.
Existem 18 linhas de ônibus que fazem o trajeto Campinas-Hortolândia, e apenas 6 linhas municipais, que geram um outros agravantes, econômicos e culturais:
Econômicos, gerando um enfraquecimento do comércio local, pois, o transporte municipal não só possui poucas linhas disponíveis, mas a freqüência com que estes ônibus passam também é menor, e se existe uma maior facilidade para o deslocamento para um local onde a variedade de produtos é maior, a concorrência se torna disleal;
Culturais, em uma cidade com uma diversidade cultural tão abrangente, iniciada por tropeiros, formada por imigrantes, construída por migrantes e desenvolvida pelo capital internacional, a sensação de pertencimento a esta realidade já é fragilizada pela sua própria expansão, onde não se estabelecem relações locais. É freqüente que se ouça de um cidadão em Hortolândia que “está indo à cidade”, quando se desloca para o município de Campinas, e que “está indo para Hortolândia” quando está se deslocando de qualquer bairro mais afastado para o centro de Hortolândia.
O município de Hortolândia tem a vantagem de estar inserido no projeto regional-nacional, pois, não podemos desconsiderar que estas linhas de ônibus estão interligadas no terminal intermodal em Campinas, e como conseqüência ao aeroporto de Viracopos, onde as empresas já utilizam com freqüência, e após esta obra será possível uma ligação de pessoas à estas empresas, não apenas pela utilização de táxi, como é realizado.
É necessária uma atenção especial ao que vem acontecendo com o fluxo de pessoas em Hortolândia para que este crescimento, não se torne um problema maior do que já vem ocorrendo.
Referência Bibliográfica:
CAPPA, Josmar. PERSPECTIVAS DE DESENVOLVIMENTO PARA CAMPINAS E REGIÃO COM A AMPLIAÇÃO DO AEROPORTO INTERNACIONAL DE VIRACOPOS. Parte do Relatório de Pesquisa desenvolvida entre agosto de 2006 a dezembro de 2007 no Núcleo de Pesquisa do Centro de Economia e Administração da PUC-Campinas.



