Os trabalhadores silenciaram por alguns instantes,
um sinal que não soava há tempos.
Era hora do almoço,
mas não haviam máquinas,
apenas as que retiravam os destroços, o entulho,
não haviam marmitas, não havia refeitório,
nem ao menos trabalhadores
que há anos ali derramaram seu suor.
O que imaginaram ser uma celebração,
era o último suspiro de algo que gritava durante anos.
Quem cresceu ouvindo esta sirene,
sabendo que não mais a ouviria,
se despediram,
como alguém que viaja sem destino,
sem pretensão de voltar,
como a arvore perde suas folhas,
sabendo que outras brotarão.
Não há lugar pra antiga cerâmica,
sufocada pela cidade que crescera.
Fernando Ladeia



