Ao soar da sirene

19 de maio de 2010

Os trabalhadores silenciaram por alguns instantes,

um sinal que não soava há tempos.

Era hora do almoço,

mas não haviam máquinas,

apenas as que retiravam os destroços, o entulho,

não haviam marmitas, não havia refeitório,

nem ao menos trabalhadores

que há anos ali derramaram seu suor.

O que imaginaram ser uma celebração,

era o último suspiro de algo que gritava durante anos.

Quem cresceu ouvindo esta sirene,

sabendo que não mais a ouviria,

se despediram,

como alguém que viaja sem destino,

sem pretensão de voltar,

como a arvore perde suas folhas,

sabendo que outras brotarão.

Não há lugar pra antiga cerâmica,

sufocada pela cidade que crescera.

Fernando Ladeia

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